Sem categoria

As respostas que não encontramos no Google


Sinto-me, muitas vezes, de mãos atadas. Queria ter todas as respostas do mundo. Não aquelas que a gente encontra no Google. Queria ter respostas para coisas mais complexas dessa vida, que a gente até tenta achar no Google, em vão.

Ontem, recebi um email que me tocou muito. Mas tem mais a ver com relação mãe e filha do que com o diabetes. Vai além do diabetes. É uma questão muito complexa para responder, ainda mais agora que sou mãe também.

Trata-se de uma mãe superprotetora. A filha não consegue viver direito a vida porque a mãe quer protegê-la do mundo. É assim desde que ela tinha oito anos e descobriu o diabetes. Ela se sente tolhida em suas escolhas. Não é o diabetes em si que traz um fator limitador, mas como a mãe vê a doença. E a “impede”, pela pressão psicológica mesmo, de seguir um caminho livre. E esse impedir, pelo que percebo, está relacionado com o medo que essa mãe tem de perder a sua filha, de perder a quem ama.

Não tenho como dizer: “faça isso, faça aquilo”. Quem sou eu para isso? A única coisa que pude dizer é que ela já sabia o que queria, que estava latente, e no próprio texto ela expressa o que quer.  Que ela precisa conversar com a mãe e expressar aquilo que sente e pedir apoio para a decisão que venha a tomar.

Às vezes, para se chegar a uma conversa dessas é preciso um tanto de terapia, um psicólogo pode ajudar. Eu mesma já fiz terapia, gostaria de voltar a fazer, porque existem respostas que não estão no Google e que só encontramos dentro de nós. Precisamos ativar nosso sistema de busca interno.

7 comentários em “As respostas que não encontramos no Google”

  1. Sabe Luciana, posso lhe dizer que sinto na pele isso todos os dias. Em abril último minha pequena, agora com 3 anos e meio também recebeu o diagnóstico. Te confesso que o início foi bem complicado e cheguei a pensar que nunca mais sairíamos de casa. Mas com o tempo fui aprendendo (e ainda estou aprendendo) que o mundo nunca vai tratar minha Camila de modo especial por ela ser diabética e eu não estarei aqui a vida toda para protegê-la. Assim, tenho que prepará-la para cuidar de si e cuidar bem. Tenho muito medo sim. De quando ela crescer e eu não puder estar ao lado dela o tempo todo para cuidar de cada detalhe relacionado ao diabetes. Mas minha única opção é confiar e continuar ensinando-a a (con)viver com isso. Hoje, ela participa de todas as festas e eventos e eu levo a ‘marmitinha’ com os docinhos que ela pode consumir. E ela mesma me pergunta: “Mamãe, posso comer isso? Não tem açúcara? ‘ e tem seguido sua vidinha feliz e participando de tudo.

  2. Faço terapia desde que descobrimos o diabetes e voltamos pra SP, por diversos motivos… me livrar da culpa, conseguir voltar pra casa dos meus pais em paz, aprender a lidar com a super proteção da minha mãe, e é claro, convivermos melhor com todas essas novidades. As meninas vão à terapia comigo, numa semana vou sozinha, na outra semana vou com elas, minha terapeuta acredita que o fator diabetes atinge todo mundo de alguma forma, e que a terapia familiar seria o ideal… assim todos conseguem conversar sobre o assunto…

  3. Meu nome é Monique, tenho diabetes fazem apenas dois meses.
    Minha mãe olha pra mim com o olhar de culpa já falei pra ela que, ela não culpa.
    No dia em que fui para o Hospital antes de eu ir, minha mãe me deu um chocolate para ver se eu me animasse.
    E quando ela descobriu o que eu realmente tinha, ela ficou achando que era culpa do chocolate.
    Minha mãe olha pra mim como se diz me pedindo Perdão e eu não sei mais o que fazer.

    1. Monique, te falo como mãe, nós sempre nos sentimos culpadas por tudo, não é você que tem que fazer esse sentimento passar! É a sua mãe, com ela mesma, entender isso e se resolver.

      Falo novamente sobre a terapia. Ela ajuda a matar leões…

      Participe de grupos sobre o assunto e carregue sua mãe junto.

      Eu moro com a minha e além da minha culpa de mãe, rola a culpa de vó, mãe da mãe !! Pode imaginar?!

      Minha mãe, como vó, participa de um grupo de mães de pessoas diabéticas, crianças, adolescentes, adultos, não só mães de crianças, e isso a ajudou não só a entender o diabetes e também respeitar o modo como EU lidava com a minha filha…

      Talvez ajude a ela saber que o diabetes está além de algo que se faça, claro que existe sedentarismo, obesidade, mas também uma pré-disposição, que independe disso tudo…

      Fique tranquila, é tudo muito recente, tenho certeza que nosso amigo TEMPO dará um jeito nas coisas por aí!

      Um beijo, boa sorte!

  4. Sou diabética desde os 7 anos, hoje tenho 23 e nenhuma complicação.
    Saí de casa aos 19 para fazer faculdade, mas também para mostrar à família que é possível ser independente e ter qualidade de vida.
    Confesso que muitas vezes fui inconseqüente com a saúde, mas também acredito que foram experiências naturais e necessárias para meu crescimento.
    Não sufoquem, confiem;o pior para um diabético não é a injeção ou a restrição alimentar, é sentir-se preso, incapaz,diferente…Cuidar da saúde para viver, não viver para cuidar da saúde!

    😉

  5. Na minha casa são 3 diabéticos, minha irmã (desde os 15), pai e mãe. No início as coisas eram mais difíceis para eles, principalmente quando minha irmã foi diagnosticada (ela foi a primeira dos 3 a ter). Demoramos um tempo para nos adaptarmos aqui em casa, mas hoje, irmã já com 28 anos, eles não passam por muitas dificuldades. E quanto a mim, eu sei que minhas chances são enormes e por isso tento tomar alguns cuidados, mas se for pensar bem tenho uma vida de diabética sem ser diabética, a única diferença é que não preciso tomar remédios ou injeções.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s