Inovação em Diabetes

Indústria farmacêutica tem se aproximado mais das necessidades dos pacientes


Alguns desafios se colocam no caminho da indústria farmacêutica quando ela fala diretamente com os pacientes. Sabemos das limitações do setor relacionadas à publicidade e comunicação. Medicamentos controlados, suprimentos e insumos têm regras bem específicas e rígidas. E tem outra questão: o consumidor final, o paciente, na maioria dos casos, não escolhe o produto que vai comprar, ele depende da prescrição do médico. No caso do diabetes, especificamente, o paciente pode escolher a marca do seu monitor de glicose, o que pode ser vantajoso tentar atingir esse público. O paciente que consome genéricos também tem a possibilidade de escolher a marca. Quando o laboratório investe em comunicação institucional, pode se beneficiar na hora da escolha no balcão da farmácia. Mas o mais comum sempre foi trabalhar o médico, com ação de propagandistas e em congressos médicos, o que continua no escopo da farmacêuticas.

Tenho observado nos últimos anos, mais fortemente nos últimos cinco anos, uma tentativa da indústria de se aproximar do consumidor final. Quando criei meu blog, em 2006, era pré mídias sociais, nem imaginava este movimento da indústria. Nem existiam quase blogs que falavam de doença do ponto e vista do paciente. De diabetes, no Brasil, não existia nenhum. Os blogs eram as mídias sociais daqueles tempos. Os fóruns eram repletos de conversas entre pessoas com diabetes, da forma como hoje as pessoas conversam nas mídias sociais (Facebook, Instagram, Twitter). Permaneci, ali, solitariamente, durante três anos, até que em 2009, começaram a surgir blogs de mães de crianças com diabetes. Sempre vi este crescimento, lento no início, e que se intensificou muito nos últimos cinco anos, com bons olhos. Quanto mais gente abordando o diabetes, melhor!

Por que estou falando sobre isso? Porque a partir desse crescimento, começou a mudar a forma como a indústria passou a ver o paciente, que saiu de uma postura passiva para uma postura mais ativa. Surgiram o que eu chamo de “pacientes experts”, pessoas que vivem a doença, e que se interessam em aprender e repassar este conhecimento para a sua audiência, além de darem voz para as pessoas que os seguem. Há uma via de mão dupla, uma sensação de pertencimento. Se antes as pessoas precisavam de associações e grupos de apoio (que continuam a ser importantes), hoje elas têm a possibilidade de “conviver” diariamente com pessoas que passam pelas mesmas situações nas diversas mídias sociais que abordam o tema.

Um dos grandes problemas no tratamento do paciente é a adesão. Trabalhar o consumidor final, no caso das doenças crônicas, pode minimizar este problema. Demorou um pouco para a indústria acertar o ponto na comunicação com os pacientes experts e com o consumidor final (o seguidor desses pacientes), mas este ano a indústria parece ter acertado o tom, ou pelo menos parece estar mais próxima aos anseios de quem vive uma doença crônica e daqueles que informam sobre ela diariamente em suas mídias sociais.

O trabalho passa não só por identificar pessoas-chave (influenciadores digitais), que possam levar a mensagem da importância dos cuidados contínuos de forma qualificada e eficiente, como atrair a atenção do público para acompanhar eventos de educação e conscientização em diabetes (ou outra doença). Hoje, não é mais suficiente trabalhar apenas a comunicação com o médico, mas apoiá-lo em suas ações e no desafio de fazer o paciente aderir ao tratamento.

Este ano, fui convidada para alguns eventos incríveis, como o Painel de Experts em Diabetes, promovido pela Merck Group, em Darmstad, Alemenha, em que pude contribuir com a minha visão sobre a abordagem do pré-diabetes. O evento promovido pela Novartis, que levou a turma do YouPix para dar dicas para os influenciadores, visando trabalhar de forma mais atrativa as suas mídias. O evento da Abbott, “Vamos falar sobre diabetes?”, que teve a grande sacada de abrir a discussão para o público, com a presença do ator José Loreto, que tem diabetes tipo 1, levando também grandes profissionais de saúde para esclarecer o público sobre cuidados, alimentação, atividade física, entre outros.

Contribuir com informação e formar este influenciador paciente é um grande passo da indústria, um passo que a aproxima de seu consumidor final, invertendo a ordem das coisas, e talvez fazendo o paciente questionar mais seu profissional de saúde sobre as condutas adotadas, fazendo o paciente assumir o gerenciamento de sua doença, promovendo uma melhor adesão do paciente ao tratamento. Este é o rumo, e finalmente parece que estão acertando o caminho!

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