unidos pelo diabetes

Adolescência e diabetes, apoio e confiança dos pais faz diferença


O ator José Loreto fala sobre sua experiência com diabetes tipo 1

Parar de meia em meia hora para fazer xixi, durante uma viagem com os pais. Achavam que o menino de 14 anos estava de gracinha, mas era o diabetes se manifestando. Um ano depois, o ator tinha um intercâmbio para os EUA. Seus pais não o impediram de ir. E lá foi o garoto aproveitar sua aventura. Vinte anos depois, ele bilha nas telas da TV, já tendo atuado em diversas novelas. O ator José Loreto, que na adolescência, assim como grande parte das pessoas nessa faixa, passou também por dificuldades relacionadas à aceitação, à exposição da doença, aprendeu desde cedo que a melhor saída era se cuidar e levar de uma forma mais leve a doença. 

No último sábado, 1 de dezembro, ele apresentou o evento “Vamos falar sobre diabetes?”, promovido pela Abbott Global, na Unibes, em São Paulo, que reuniu renomados especialistas e influenciadores digitais para abordar o tema em seus diversos aspectos: médico, nutricional, psicológico, tecnológico… Entre uma apresentação e outra, o ator ia dando umas pinceladas sobre sua vida com diabetes tipo 1, de forma bem humorada.

A dupla alimentação equilibrada/atividade física fez e faz toda a diferença no seu controle, disse José Loreto. “O diabetes me tornou uma pessoa mais saudável”, destacou o ator. Sobre o esporte, ele se diz viciado e praticante de diversas modalidades. “Toda pessoa com diabetes deve encontrar um esporte para amar”, ressaltou.

A forma como seus pais, o pai é médico, trataram o diabetes de Loreto fizeram diferença na forma como ele vive o diabetes hoje. Em outro evento ocorrido neste final de semana, o Doce Encontro, promovido pelas blogueiras Kath Paloma, do Maternidade e Diabetes, e Luana Alves, do A Diabetes e Eu, reforçou esse recado para os pais de crianças e adolescentes com diabetes. “Chega uma hora que temos que passar o bastão para eles”, aconselha Nicole Lagonegro que tem a filha Vivi, do Minha Filha Diabética, diagnosticada aos cinco anos de idade, quando criou o blog para compartilhar sua experiência como mãe e ajudou já muitas mães que passaram pelo mesmo. “Eu acho curiosa essa expressão “mãe pâncreas”, eu sou muito mais que isso”, considera Nicole. Ela se deu conta que não podia resumir a vida da Vivi ao diabetes quando escutou da menina, que hoje tem 15 anos, a frase: “mãe, eu não me resumo a números (referindo-se às medições diárias de glicemias que as pessoas com diabetes precisam fazer)”. Hoje, Nicole, a mãe, é enfermeira especializada em diabetes, mas enxerga o diabetes como só mais um detalhe na vida da filha.

A atriz Talita Guidio aprendeu que a melhor forma de tratar o diabetes da filha é com confiança. As duas têm diabetes tipo 1. “É preciso manter a individualidade de cada um”, considera a atriz. O recado que a psicóloga, Elaine Rosa, que convive com diabetes tipo 1 há 25 anos, dá aos pais é: “não deixe de aproveitar a infância do seu filho por causa do diabetes”. Para ela, é preciso apoiar, sem sufocar, apoiar, mas sempre levando em consideração o outro, como ele quer ser tratado. 

“Somos três irmãos, e, na infância, eu sempre era a diferente por conta do diabetes tipo 1”, afirma a nutricionista Deise Santiago sobre a superproteção dos pais. A dentista Lilian Pastore destaca que é justamente este um dos maiores desafios dos pais, a questão da superproteção. Ela, como mãe da Luiza, que tem dm1, tenta não cair na armadilha de superproteger. Para ela, a confiança fortalece a autoestima. 

Fabiana Couto, do Movimento Divabética, que valoriza as mulheres com diabetes, pelo aumento da autoestima feminina, conta que sua trajetória teve momentos difíceis, em especial na adolescência, fase que ela considera mais complicada para o diabetes. Ao longo dos anos, o amadurecimento trouxe aceitação e envolvimento com a causa. História parecida tem a publicitária Aline Peach, do Clube Diabetes, que tem diabetes há 39 anos. “Tive muitos problemas de aceitação na fase da adolescência até fazer as pazes com o diabetes”, relembra. Para ela, compartilhar vivências pode ajudar a superar as dificuldades.

Viver com Diabetes de forma mais leve é não só aceitar o diabetes, mas ter consciência de que teremos fases mais difíceis, de controle, de encarar o dia-a-dia, e fases mais tranquilas. “A única coisa que os pais podem fazer é manter a calma e o controle, porque vamos, de qualquer forma, passar por essas fases da vida”, aconselha Vivi que aos 15 anos já acumula dez anos de experiência com o diabetes. 

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