Evidências em Diabetes, genética

Diabetes monogênico: MODY e outros tipos menos frequentes


Estamos acostumados a ouvir falar dos tipos mais comuns de diabetes. O mais prevalente na população de todo o mundo, responsável por 90% dos casos, é o diabetes tipo 2, com alta carga hereditária, sendo que de 75% a 100% das pessoas que desenvolvem o tipo 2 tem algum histórico familiar. Com cerca de 8% de prevalência na população, o diabetes tipo 1, uma doença autoimune, têm história familiar baixa: 5%. O Diabetes gestacional também é conhecido e costumamos encontrar vasta literatura a respeito. O LADA já é menos falado, mas hoje ele não é nosso foco. O tipo de diabetes que recebe a nossa atenção hoje é o diabetes monogênico, que inclui alguns tipos bem pouco conhecidos: MODY, Diabetes Neonatal, Diabetes Mitocondrial, Diabetes Lipoatrófico, Síndromes de Resistência Insulínica e outras síndromes genéticas raras (como Síndrome de Wolfram).

A confirmação do diagnóstico de diabetes monogênico é realizada por análise genético-molecular. “O diagnóstico genético possui grande importância pois pode modificar o tratamento do paciente, predizer o curso clínico, além de permitir um adequado aconselhamento genético” afirma a médica pesquisadora Milena Tales, que coordena o Grupo de Diabetes Monogênico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que ministrou uma aula sobre o tema durante o XVIII Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, nesta sexta-feira (19), em São Paulo.

O foco deste texto é o diabetes MODY (o meu tipo de diabetes). Até hoje, foram identificados 14 subtipos, sendo os mais prevalentes: MODY 2 e MODY 3. O MODY 2 é uma alteração no cromossomo CCK, o MODY 3 é uma alteração no gene HNF1A. Não se trata de uma doença autoimune, como o diabetes tipo 1, tão pouco de uma doença influenciada pelo ambiente ou por hábitos de vida. É uma doença com padrão de herança autossômica dominante e alta prevalência entre os tipos de diabetes monogênicos. “Todos os 14 subtipos descritos apresentam algum grau de disfunção das células beta, que comprometem a secreção da insulina”, ressalta Milena.

E quando desconfiar? Os aspectos mais comuns são: histórico familiar de diabetes, hiperglicemia com início na infância, adolescência ou em pessoas com até 35 anos de idade, ausência de anticorpos contra ilhotas pancreáticas e presença de peptídio C detectável após mais de três anos do diagnóstico da hiperglicemia.

É importante identificar o subtipo de MODY porque isso permite direcionar o tratamento, efetuar um aconselhamento familiar e delinear um prognóstico.

O MODY 2, que está entre os dois mais comuns na população, se caracteriza por elevações discretas na glicemia de jejum desde a infância, mas estáveis por toda a vida, por isso não precisa de medicação, apenas mudança no estilo de vida, com dieta equilibrada e exercícios físicos regulares. O MODY-GCK apresenta baixa prevalência para o desenvolvimento de complicações do diabetes, como problemas nos olhos, rins ou nervos. Já o O MODY 3, que se caracteriza pela alteração no gene HNF1A, é tratado por medicamentos de via oral, tendo boa resposta sulfonorreia, uma droga considerada por alguns especialista ultrapassada no tratamento do diabetes, mas que tem excelente resposta no caso de MODY.

O diagnóstico de MODY depende de uma técnica de sequenciamento genético chamada Sanger, que estuda gene a gene, levando em consideração a apresentação clínica. Quando não se chega a um diagnóstico por esta técnica, usa-se um sequenciamento em larga escala, o Next Generation Sequencing (NGS), que inclui todos os genes já descritos. Outros métodos podem ainda ser utilizados no diagnóstico.

O estudo tem apoio da Fapesp, há um acompanhamento das famílias diagnosticadas no ICHC_FMUSP. “Apesar de ser um tipo raro, se imaginarmos que o Brasil possui 14 milhões de diabéticos, mesmo considerando que apenas 2% desses sejam DM monogênico, teremos mais de 200 mil casos ainda não diagnosticados. Então levamos em conta essa grande motivação”, salienta a pesquisadora.

 

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